“Os Orestes”, “Cinema Mudo”, “Dente de Leite” e “Poodle Macho” são os principais trabalhos de tiras do cartunista João Munhoz, que publica seu trabalho diariamente no jornal Destak, tablóide gratuito que circula em São Paulo, Rio de Janeiro e Brasília. Um desenhista de traço leve e direto que consegue brincar com um estilo de humor de ocasião que faz o leitor pensar e rir ao mesmo tempo. Leia agora a entrevista exclusiva que o Munhoz concedeu ao site MeuHerói.com.
1 – Munhoz, nos conte sobre seu início na arte dos quadrinhos?
Eu desenho antes mesmo de me entender por gente e acho que isso é o que a maioria dos desenhistas diz. Rabiscar era um brinquedo, uma ferramenta que eu gastei bastante na infância, tanto que durante a maior parte da adolescência eu deixei isso de lado. Fui aprender outras coisas, quase perdi o interesse completo. Gostava de renegar o “trunfo”. Porém, quando me vi diante de ter que trabalhar em alguma coisa, não tive dúvida: Desenhar era o melhor trabalho que eu poderia ter. Então fui fazendo freelas até encontrar um propósito autoral. Foi quando criei as tiras que hoje vivem no Destak (jornal).
2 – Além de publicar seus quadrinhos no jornal Destak, você também veicula sua arte em seus blogs. No jornal você precisa seguir sempre uma pauta, ou sua criação é livre como nos blogs?
Entrei no Destak por conta de um blog. Tinha umas dez tirinhas nele. Mas sempre fui um péssimo blogueiro. Todo material que posto vem do jornal.
A criação não poderia ser mais livre. Para se ter uma idéia nesses cinco anos de jornal, apareci na redação umas três ou quatro vezes. Nesse meio tempo tive que refazer uma ou duas tirinhas. O maior problema que posso encontrar é esquecer que se trata de um jornal gratuito, porque o povo (uma parte dele) acha que se é grátis é deles. E eu penso que se é grátis, é presente. Mas tudo bem. Sigo minha ordem de séries e trato dos assuntos que me interessam. Tento acompanhar algumas manchetes quando faço a Cinema Mudo, mas é raro eu produzir algo pautado.
3- A cada dia você publica um personagem diferente, os dias são fixos para cada personagem?
Sim, mas só tenho séries diferentes por semana por conta da minha inabilidade de produzir histórias contínuas. Essa ordem veio mudando ao longo do tempo, porém algumas séries estão aí desde o começo. Poodle Macho, Dente de Leite e Cinema Mudo são publicadas nos mesmos dias desde então.
4 – Percebemos que “Os Orestes” brinca com a fantasia da juventude e os idos anos de um grupo de idosos, mas por outro lado mostra a visão social de mundo deles. De onde surgiu a inspiração desses quadrinhos?
Tive muito contato com o elenco velhinho da minha família. Sempre achei tudo muito engraçado quando estava com eles. Minha avó e as irmãs dela eram uma trupe de velhinhas cheia de histórias absurdas e hilárias. Desde batidas da polícia no jogo de Bingo a discussões acaloradas sobre o programa ser do Bronco ou do Golias (sendo que se tratava da mesma pessoa). Apesar da tira quase sempre apresentar um velhinho, é nas vovós que eu me inspiro. Por exemplo: A tira chama “Os Orestes” por conta do meu bisavó, mas é em homenagem à minha bisavó. Eu explico: Meu bisavó se chamava Restituto, minha bisa -Dona Laura- não gostava do nome, então simplesmente rebatizou de Orestes e assim ficou. Eu acho de ferver uma coisa dessas.
(Entrevista) Francinildo Sena – O combatente fiel dos quadrinhos nacionais
Francinildo Sena é o criador do Herói Brazuca “Crânio” e, além de ser o criador de um super-herói, Sena é um verdadeiro combatente dos quadrinhos brasileiros. Sena foi responsável pelo lançamento do fanzine impresso “Heróis Brazucas” e das edições virtuais do Mundo HQB que publica e divulga as aventuras de personagens nacionais.
Tivemos a oportunidade de entrevistar o editor e roteirista Francinildo Sena, confira a entrevista a seguir:
1 – Sena, você criou o personagem “Crânio” em 1988, antes desse ano, qual era a sua relação com os quadrinhos e como nasceu seu interesse pelas hq´s?
Desde os 6 anos que leio quadrinhos, lia muito Turma da Mônica e Disney. Meu interece pelos Super Heróis começou em 1986. Dois anos depois me aventurei na produção de quadrinhos criando então o CRÂNIO.
2 – Como surgiu a ideia de lançar o fanzine impresso “Heróis Brazucas” e qual foi a duração do projeto?
O principal objetivo com o HB era mostrar aos leitores que no Brasil tínhamos também vários artistas e personagens tão bons como os estrangeiros. Depois de lançar 54 edições impressas acredito que cumprimos em parte o nosso objetivo.
3 – Fale um pouco da Mundo HQB, você projetaria essa edição para o formato impresso?
Na verdade a idéia inicial era lançar um fanzine impresso mas, devido a falta de tempo acabei optando pela versão virtual.
4 – A internet , nos tempos atuais, praticamente substituiu os antigos fanzines impressos, pois pela rede todo redator e desenhista distribui suas obras de modo rápido e gratuito, você concorda com essa definição?
Sem dúvida que a internet favorece e muito o avanço dos nosso quadrinhos mas, particularmente prefiro as edições impressas.
5 – O personagem “Crânio” possui uma plástica atraente e uma aparência de dinamismo, qual a principal missão e características do personagem?
(Entrevista) Corcel Negro - O herói de Alcivan Gameleira
O personagem "Corcel Negro" é um herói brasileiro criado por Alcivan Gameleira.O personagem possui o nome de Santiago ,um surdo-mudo que possui a capacidade de adaptar as habilidades de terceiros.Vive constantemente na instabilidade temporal,ou seja, regido por uma espiral do tempo , o personagem vive e enfrenta situações em diferentes épocas.
Leia a seguir uma entrevista exclusiva com o autor:
1- Alcivan ,como iniciou o seu interesse e trabalho nas histórias em quadrinhos
Desde criança eu gosto de HQ’s. Li muitas revistas da antiga Editora Ebal e da Abril. Entre as que me influenciaram estão as revistas “Heróis da TV” e “Superaventuras Marvel”, que eram publicadas pela Editora Abril. Na adolescência comecei a criar personagens que não me lembro mais quais eram. Por volta do final da década de 1990, o Francinildo Sena (do personagem Crânio) me mostrou os fanzines que ele e outros faziam e isso despertou minha curiosidade em fazer o meu próprio fanzine. Primeiro criei um personagem para participar de uma mini-série do Francinildo chamada “Campo de Batalha”.O personagem chamava-se Keno , o morcego, logo depois já por volta do ano 2000, criei o Corcel Negro, que a princípio era um escravo (escravidão do Brasil) ,mas como gosto do tema mutantes depois o fiz como ele é hoje. E de lá pra cá não parei de fazer HQ’s ,tanto do Corcel negro como de outros personagens meus.
2 - Quando criou o personagem e quais foram as principais influências que o inspiraram?
Como já mencionei foi por volta do ano 2000. As influências foram as questões da mutação ,uma coisa que me atrai muito. Pra você ter uma idéia a maioria de meus personagens são mutantes. Sou fã de carteirinha deles. Daí procurei criar um personagem que tivesse uma mutação diferente ou pouco usada pelos já conhecidos do público. Vi no personagem Treinador da Marvel, uma chance de colocar no Corcel Negro o que chamei de ação fotográfica (capacidade de praticar ação perfeitamente apenas olhando para ela, seja ao vivo ou por revistas , livros e etc.) e o dotei de ossos super resistentes a impactos, isso baseado um pouco no esqueleto do Wolverine, meu personagem preferido.Os pés sensíveis capazes de captar vibrações do solo de alguém que se aproxima , foi tirado de alguns animais que tem essa capacidade. Procurei fazê-lo surdo já que na época não havia nenhum herói assim. Daí dei vida no papel ao personagem.
O site MeuHerói.com apresenta mais um herói brazuca, trata-se de “Vulto” criado pelo artista Wellington Santos em 1990. A primeira publicação do personagem ocorreu em 2005, numa edição de 88 páginas impressa pelo próprio autor. No ano de 2008, o personagem foi lançado em nova edição pela SM Editora (atual Júpiter 2).
Vulto é um vigilante que se aparta da corporação após descobrir que grande parte de seus componentes estão envolvidos com o crime. Defensor da ética, utiliza de todas as suas habilidades para lutar contra as drogas e o crime.
Entrevistamos o autor Wellington Santos, que nos contou um pouco de sua história autoral e perspectivas.
1 – Wellington, o que o influenciou na criação do “Vulto”?
A grande influência veio de três personagens que sempre gostei muito: Batman, Demolidor e Justiceiro, mas sempre gostei de quadrinhos e meu maior sonho era um dia publicar meu próprio personagem, por essa razão, acabei criando o Vulto que, de certa forma, reuniu aspectos desses meus personagens favoritos.
O gosto de ler um quadrinho nacional ainda não gerou uma forte febre comparável aos tempos do Tico-Tico, e muito menos um fator similar ao mercado atual do mangá. No Brasil, há grandes quadrinistas e roteiristas da nona arte, mas , infelizmente, há poucas editoras engajadas em publicar material de autores brazucas , o que deixa os nossos artistas presos nos blogs, na distribuição em pdf, ou dependentes de projetos de ilustração das médias e grandes editoras.
Neste ambiente ainda hostil para o quadrinho nacional autoral, emerge o trabalho da editora Júpiter 2, uma editora independente que edita e vende edições de autores nacionais via e-mail, são edições que abordam histórias de super-heróis nacionais, adultas, infantis e entre outros temas que permitem a republicação, a releitura e o lançamento de autores tradicionais e novatos
A Júpiter 2 é dirigida pelo editor José Salles, tive a oportunidade de conversar com ele sobre seus projetos e visões a respeito da nona arte brasileira, leia:
1 – Salles, nos conte um pouco sobre a história de sua editora, de onde surgiu a ideia de abrir uma editora com a missão de publicar material 100 % nacional, e por que ela se chama Júpiter 2 ?
Júpiter II nasceu da convivência fanzineira de mais de dez anos com vários amigos artistas dos Quadrinhos. A idéia foi simplesmente dar uma acabamento gráfico mais bonitinho para os fanzines, uma tiragem maior e maior distribuição – e, com isso, muito mais leitores, coisa que, felizmente, estamos conseguindo fazer. Inicialmente o selo chamava-se SM Editora, mudamos para Júpiter II em homenagem a editora paulistana homônima, dos anos 50 do século XX, onde Gedeone Malagola deu seus primeiros passos como artista dos Quadrinhos.
2 – Os heróis e os símbolos da cultura pop americana dominam as nossas bancas de jornais, por outro lado, a arte vinculada aos estilos europeus predominam nos lançamentos das livrarias. Na sua opinião, é possível ampliar o espaço para a arte tupiniquim nas bancas e livrarias?
É possível desde que os autores brasileiros estejam empenhados em mudar esse quadro, deixando de imitar autores estrangeiros e se dediquem de corpo e alma na formação de novos leitores – e certamente não é imitando Alan Moore e Neil Gaiman que formaremos novos leitores.
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