Máscara Noturna - Entrevista com Eduardo Manzano. |
 | Rick Lee é um policial atingido pela maldição de Kaya, maldição que o obriga a matar um ser vivo por dia para manter-se vivo. Rick para não perder a ética pelo bem, veste-se de Máscara Noturna, e decide assassinar os piores criminosos da sociedade, diariamente persegue serial killers, estupradores, pedófilos entre tantos outros profissionais do mal. Em suas ações, o personagem Máscara Noturna utiliza o fogo da maldição de Kaya para atingir os bandidos, nos quadrinhos o fogo é capaz de carbonizar instantaneamente qualquer ser vivo que passar pela frente. |
 | Lançado pela editora Júpiter 2, o Máscara Noturna é uma criação do desenhista Eduardo Manzano e do roteirista José Salles. A obra do Máscara Noturna já foi indicada 4 vezes ao troféu Ângelo Agostini e está conquistando grande número de leitores. Leia a seguir uma entrevista exclusiva com o desenhista e designer gráfico Eduardo Manzano, que começou a se tornar conhecido durante a febre dos quadrinhos alternativos brasileiros na década de 80. |
| 1 – Manzano, comparando o mercado alternativo de quadrinhos dos anos 80 com o dos tempos atuais, na sua opinião, qual a principal diferença? O que evolui e parou no tempo? |
Manzano- É engraçado você perguntar isso, eu surgi no boom dos quadrinhos alternativos, nos fanzines dos anos 80, de alguma forma meus quadrinhos na época caíram no gosto do público e de repente havia trabalho meu espalhado por todo o país, eu e alguns autores tínhamos um certo destaque. Lembro que eu e Michelle Domit do Fanzine Voyeur (uma publicação muito forte na época), já avisávamos que se os Fanzines não se unissem, não transformassem todo o movimento num circulo de evolução, eles se acabariam...
Nos chamaram de capitalistas e por aí afora, e hoje o que aconteceu? Os fanzines quase não existem mais, viraram blogs e os que sobreviveram foi única e exclusivamente pela paixão de seus editores. Então a evolução deve ser algo natural em todos os meios, hoje em relação aos anos 80, temos muitos e melhores roteiristas e quadrinhistas, as pessoas se especializaram em fazer quadrinhos, hoje o Brasil tem profissionais de quadrinhos. |
| 2 – Nos tempos atuais, qual o melhor método ou experiência na conquista de novos leitores? |
Honestidade. Se você respeita seu leitor, busca manter a qualidade e, principalmente, acredita no seu trabalho, as pessoas passam a se interessar. Não há muito segredo nisso. Me lembro que no começo eu e o Salles enfrentamos muitos preconceitos com nossos quadrinhos de heróis, com um certo grupo que parece acreditar que super-heróis só podiam existir nas editoras americanas...Era só lançarmos algo e lá estava o grupinho chorando e nos xingando, havia alguns deles acredite, que montavam blogs só para meter o pau nos artistas brasileiros... Havia a crença de que brasileiro não conseguia escrever quadrinhos de heróis decentes, e nós ajudamos a desmistificar isso. Num ponto, chegamos a conclusão que certos tipos de pessoas já vêm com um “pré-conceito”, então por mais que seu trabalho esteja bom, eles vão ficar buscando "chifre em cabeça de cavalo", desistimos de tentar agradar a todos e tocamos em frente nosso trabalho. Gosto quando apresento o gibi a pessoas comuns que nunca leram e não seguem um gênero especifico de quadrinhos, elas curtem melhor o que fazemos e não têm essa necessidade de agredir gratuitamente, só querem ler bons quadrinhos. Assim José Salles abriu o leque da editora com outros estilos de quadrinhos desde o infantil até faroeste, aos poucos nossas vendas estão gradualmente aumentando e ganhando o público, já ganhamos 2 prêmios do mercado de quadrinhos por nossas publicações. O reconhecimento veio e tem sido recompensador! |
Meu maior pagamento por este trabalho aconteceu quando Salles me presenteou com um desenho de uma garotinha de 3 anos, que desenhou meu personagem Tormenta numa folha de papel, ela é fã dele, não há dinheiro que pague isto! Este é o principal objetivo e o diferencial da Júpíter2 diante das outras editoras, nós estamos construindo nosso público e não apenas jogando revistas em bancas e comics shops todos os meses! |
3 – Recentemente, você lançou as histórias do personagem “Máscara Noturna”, qual foi a grande inspiração e influências para a criação desse personagem? |
Bem o criador do Máscara Noturna é do José Salles, eu dei a ele o visual, criei o visual de Zhang e de sua amante, e criei o delegado Palhares amigo de Rick Lee, o Máscara Noturna. Eu e Salles temos idéias muito parecidas para nossas histórias então há anos essa energia funciona entre a gente. A inspiração para criar o Máscara foi a vontade de criar um tipo de quadrinho que as pessoas tivessem emoção e aventura simples, já que o que víamos nos quadrinhos americanos desde os anos 90 não nos agradava - crises, mortes e ressurreições, enfim aquela confusão inexplicável que permanece até hoje... Por outro lado eu e o Salles temos uma visão bem particular do Status Quo de nossos personagens e no que significa honra e justiça - buscamos resgatar estas palavras tão esquecidas hoje em dia. Em nossas hqs bandido é bandido e herói é herói, o maior lema da Júpiter2 é : respeito ao leitor! |
| 4 – O “Máscara Noturna” é um herói ou um anti-herói? |
O Máscara Noturna é uma representação de um inconsciente coletivo. A maioria das pessoas quando vêem um estuprador ser preso pensam em como gostariam de castigá-lo, mas na realidade não o fazem por causa das convenções sociais e do que chamamos de “politicamente correto". Então o Máscara Noturna trata os bandidos do jeito que sempre imaginamos quando assistimos os telejornais, é ler para conferir! Sem falsos moralismos, apenas uma boa hq policial, um quadrinho para adultos! Não queremos dizer como a Justiça deva ser feita, ou como as pessoas deva agir é apenas nossa visão! |
| 5 – O personagem através da ficção faz alguma alusão crítica às questões sociais e a falta de ética em casos judiciários de nosso país? |
Como eu disse um pouco na questão anterior, o Máscara Noturna é maníqueista : bem e mal estão bem divisados em sua visão. Salles teve essa premissa baseado em preocupações nossas frente ao que acontece em nosso dia-a-dia, por exemplo, a volta dos símbolos de ódio vistos como algo bom por alguns setores da sociedade, exemplos: Crescimento do Neonazismo, adolescentes usando camisetas de Che Guevara e crendo que ele era um herói, apologia ao crime e ao tráfico em músicas, ou seja, a moral invertida que está predominando nos dias de hoje. |
6 – Além da originalidade do personagem, qual o grande diferencial das histórias do “Máscara Noturna”? |
Seu Status Quo : Ele precisa matar um ser vivo a cada 24 horas, ou a maldição que ele possui do Fogo de Kaya irá se abater sobre ele. O que você faria? Quem escolheria para morrer? Esse é o mote principal e que torna cada hq do Máscara Noturna um labirinto de angústia e emoção,prendendo quem lê do início ao fim; Salles foi gênio ao conceber isso! |
7 – Qual será o futuro do Máscara Noturna? Ele conseguirá se livrar da maldição? |
Na edição de nº 6 há um pretenso desfecho para a maldição do Máscara Noturna, não vou falar pois vai estragar a surpresa, esta edição é ilustrada pelo grande Emmanuel Thomaz! Confiram! |
| 8 – Você também criou o personagem Tormenta, uma releitura do folclórico Saci. Fale um pouco desse personagem. |
O Tormenta foi uma contribuição minha à Júpiter no sentido de criar um herói mais leve nos moldes dos comics dos anos 50, Salles foi muito sagaz ao tratar as histórias onde o foco principal são os personagens coadjuvantes, o que torna cada hq muito próxima do leitor. O Tormenta se tornou nosso coringa, no sentido de que podemos colocá-lo em situações de humor, aventura, ficção, ele atua bem com todo tipo de roteiro. Seu visual foi inspirado em Gene Simmons baixista do kiss de quem sou fã! |
9 – Na sua carreira você também tem trabalhado em projetos gráficos para a publicidade. Na composição dos materiais promocionais, já aconteceu de algum briefing lhe permitir liberdades para criar e compor uma peça do seu jeito? |
É meio complicado pois cada empresa possui todo um histórico e regras que devem ser respeitadas, mas já tive trabalhos que me permitiram maior liberdade.Mas geralmente as pessoas que buscam meu trabalho já sabem qual estilo eu desenvolvo. Geralmente aprecio mais fazer as capas de cds de bandas de metal que faço para fora do Brasil, como para as bandas Vomit the Soul, Devourment, Unleashed, Pettalom etc. Também tenho feito muitas capas de livros para diferentes editoras. Nesse aspecto meu trabalho tem tido uma ótima repercussão lá fora. |
| 10 – Quadrinhos, ilustração e publicidade, qual a sua maior paixão? |
Tudo que envolve artes, desenho e pintura me fascinam, mas os quadrinhos sem sombra de dúvida é o tipo de trabalho que farei enquanto puder empunhar um lápis em minhas mãos. |
11 – Você tem algum projeto novo na gaveta ou na cabeça que possa ser revelado? Quais as suas futuras idéias? |
Agora que estou responsável pelo espaço virtual da Júpiter2 pretendemos incrementar nosso espaço na internet cada vez mais. Pessoalmente há vários projetos em andamento inclusive a continuação de meu trabalho " Alameda da Saudade" também pela Júpiter2, fiquem ligados no blog e confiram!!! Júpiter2 : http://jupiter2editora.blogspot.com |
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