Acaba de ser lançada a segunda edição do Almanaque Meteoro, que dá continuidade às aventuras do super-herói mais badalado dos tempos modernos. A empolgante saga de Roger Mandari continua. Chegou o momento de nosso querido Mascarado Voador, O Meteoro, encarar seu primeiro supervilão: Chino, O Executor. Esse cara é da pesada, cheio de truques e golpes baixos! De quebra, temos a primeira aparição do Encapuzado – o misterioso chefão do submundo que tentou matar o pai de Meteoro no primeiro número.
Robert Crumb – os velhos e atuais momentos de um gênio
Desenhista norte-americano, fundador do quadrinho underground e contracultural dos quadrinhos americanos na década de 60. Nasceu no dia 30 de agosto de 1943, na Filadélfia. Iniciou a carreira por meio do Zap Comix, um fanzine artesanal fundado por ele.
Até os dias atuais, os seus desenhados, venerados pelos hippies na época, são referências entre as comunidades de leitores e desenhistas de quadrinhos em todo o mundo, dentre os quais, destacam-se “Keep on Truckin” , “Mr.Natural” e “Fritz The Cat”.
Nos anos 70, começou a trabalhar com o roteirista Hervey Pekar, desenhando o cotidiano da classe média norte-americana da época. Em 1994, o diretor Terry Zwigoff lançou o documentário “Crumb” que narra a vida do desenhista e de seus dois irmãos, o documentário revela que seu irmão mais velho, Charles, o obrigava a desenhar quadrinhos na infância.
Robert Crumb é casado com Aline Kominsky, com quem já produziu quadrinhos autobiográficos para a revista The New Yorker.
Em 2009, Robert Crumb lançou o livro “Gênesis”, uma adaptação em quadrinhos do livro da bíblia. Até os dias atuais, vive com a esposa e a filha, que também são desenhistas, no sul da França.
No ano de 2010, foi convidado para participar da Flip, evento literário realizado todos os anos em Paraty. No mesmo ano, resolveu abandonar a revista The New Yorker , o motivo foi declarado por ele mesmo nas seguintes palavras:
"Comecei a me sentir comprometido depois que um editor lá rejeitou uma capa que fiz e não me deu explicação alguma, então parei de trabalhar com a 'New Yorker'. Me recuso a trabalhar com qualquer pessoa sob essas circunstâncias, não importa o quanto paguem", disse Crumb.
O site MeuHerói.com apresenta mais um herói brazuca, trata-se de “Vulto” criado pelo artista Wellington Santos em 1990. A primeira publicação do personagem ocorreu em 2005, numa edição de 88 páginas impressa pelo próprio autor. No ano de 2008, o personagem foi lançado em nova edição pela SM Editora (atual Júpiter 2).
Vulto é um vigilante que se aparta da corporação após descobrir que grande parte de seus componentes estão envolvidos com o crime. Defensor da ética, utiliza de todas as suas habilidades para lutar contra as drogas e o crime.
Entrevistamos o autor Wellington Santos, que nos contou um pouco de sua história autoral e perspectivas.
1 – Wellington, o que o influenciou na criação do “Vulto”?
A grande influência veio de três personagens que sempre gostei muito: Batman, Demolidor e Justiceiro, mas sempre gostei de quadrinhos e meu maior sonho era um dia publicar meu próprio personagem, por essa razão, acabei criando o Vulto que, de certa forma, reuniu aspectos desses meus personagens favoritos.
O gosto de ler um quadrinho nacional ainda não gerou uma forte febre comparável aos tempos do Tico-Tico, e muito menos um fator similar ao mercado atual do mangá. No Brasil, há grandes quadrinistas e roteiristas da nona arte, mas , infelizmente, há poucas editoras engajadas em publicar material de autores brazucas , o que deixa os nossos artistas presos nos blogs, na distribuição em pdf, ou dependentes de projetos de ilustração das médias e grandes editoras.
Neste ambiente ainda hostil para o quadrinho nacional autoral, emerge o trabalho da editora Júpiter 2, uma editora independente que edita e vende edições de autores nacionais via e-mail, são edições que abordam histórias de super-heróis nacionais, adultas, infantis e entre outros temas que permitem a republicação, a releitura e o lançamento de autores tradicionais e novatos
A Júpiter 2 é dirigida pelo editor José Salles, tive a oportunidade de conversar com ele sobre seus projetos e visões a respeito da nona arte brasileira, leia:
1 – Salles, nos conte um pouco sobre a história de sua editora, de onde surgiu a ideia de abrir uma editora com a missão de publicar material 100 % nacional, e por que ela se chama Júpiter 2 ?
Júpiter II nasceu da convivência fanzineira de mais de dez anos com vários amigos artistas dos Quadrinhos. A idéia foi simplesmente dar uma acabamento gráfico mais bonitinho para os fanzines, uma tiragem maior e maior distribuição – e, com isso, muito mais leitores, coisa que, felizmente, estamos conseguindo fazer. Inicialmente o selo chamava-se SM Editora, mudamos para Júpiter II em homenagem a editora paulistana homônima, dos anos 50 do século XX, onde Gedeone Malagola deu seus primeiros passos como artista dos Quadrinhos.
2 – Os heróis e os símbolos da cultura pop americana dominam as nossas bancas de jornais, por outro lado, a arte vinculada aos estilos europeus predominam nos lançamentos das livrarias. Na sua opinião, é possível ampliar o espaço para a arte tupiniquim nas bancas e livrarias?
É possível desde que os autores brasileiros estejam empenhados em mudar esse quadro, deixando de imitar autores estrangeiros e se dediquem de corpo e alma na formação de novos leitores – e certamente não é imitando Alan Moore e Neil Gaiman que formaremos novos leitores.
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