ENTREVISTAMOS MÁRIO CESAR – ENTRE QUADROS

Repensar o significado de sua vida, o que você está fazendo ou quantificar os seus sonhos é um desafio pertencente ao vazio existencial de nossos tempos pós-modernos. Mário Cesar, inspirado em contistas e colunistas da web desenvolveu essa linha de raciocínio criativo em seu livro A Walk on the Wild Side que compõe a coleção EntreQuadros publicada pela Balão Editorial. Tive a oportunidade de conversar com Mário Cesar, leia a entrevista a seguir:
1 – Olá Mário Cesar, como iniciou seu interesse pelos quadrinhos e pelas artes visuais?
Olá. Eu comecei a desenhar desde pequeno, fiz cursos de desenho e pintura ainda criança. Cresci e conheci os quadrinhos lendo Turma da Mônica e Disney e sou apaixonado por essa forma de arte desde então. Sempre quis trabalhar com HQs, mas para mim, os quadrinhos eram algo sagrado que só deuses como o Will Eisner eram dignos de fazer. Quem era eu pra dizer que também era autor de quadrinhos? Só fui perder o pudor e me enveredar pela área depois que me formei em Desenho Industrial, o amor pelas HQs falou mais alto na hora de decidir meu futuro profissional.
2 – Além de fazer rir, o quadrinho é uma ferramenta para fazer o leitor pensar?
O quadrinho é uma forma de arte e como qualquer forma de arte, pode fazer rir ou chorar, dar respostas ou questionar, entreter ou fazer pensar com a mesma intensidade.
3 – Você já trabalhou como editor de quadrinhos da editora paulista Via Lettera, o que você implementou nessa empresa editorial?
Eu entrei na Via Lettera como assistente editorial da Monica Seincman, que é a editora-chefe de lá, por conta do que fiz como organizador e colaborador da Front. A publicação andava meio sumida antes de eu entrar lá. Depois disso, editei mais 3 edições da Front junto com outros autores como o Daniel Esteves, o Will, o André Freitas, o Mario Cau e o Bira Dantas e conquistamos um Troféu HQ Mix. Aprendi muito sobre editoração na Via Lettera, foi uma escola pra mim. Tive a chance de editar HQs pelas quais já era apaixonado como Bone e Love & Rockets, editei e me apaixonei pelas obras de outros autores como Ralf König, Marcelo D’Salete e Linda Medley. Além disso também editei livros de literatura e conheci o Nick Farewell que virou um parceiro de crime. Meu próximo livro de HQs será um roteiro dele que estou adaptando e desenhando.
4 – A coleção EntreQuadros é toda idealizada por você?
Sim, a EntreQuadros eu criei logo que sai da Via Lettera, era hora de ter uma publicação só com meus trabalhos.
5 – No livro A Walk on the Wild Sided da coleção você se inspirou em dois artigos, fale desse processo criativo.
A primeira EntreQuadros, que lancei de forma independente foi uma coletânea de material de gaveta que já tinha pronto. Acabou ficando um pouco sem coesão. Aí quando fui preparar a segunda edição, me lembrei dos contos de dois amigos, um do Nick Farewell e outro do Pedro Cirne que é jornalista do UOL. Os dois tinham uma temática semelhante sobre as escolhas que fazemos na vida e isso tinha a ver com o que eu estava passando na época, definindo os caminhos que queria seguir como autor. O conto do Nick eu fiz uma adaptação, já o conto do Pedro serviu de inspiração para uma história nova. Usei muitos dos elementos do conto original do Pedro, mas a história foi crescendo e se transformou em algo novo.
6 – O seu quadrinho poder ser considerado como auto-ajuda?
Não tenho pretensão de ser guru espiritual de ninguém. Exponho na minha obra questionamentos meus e acho que isso acaba atingindo quem tem os mesmos questionamentos. A reação das pessoas está mais nisso, em identificação. Não tem pretensão de ser auto-ajuda, mas se levar alguém a pensar sobre a própria vida e ajudar alguém a ser um pouco mais feliz já me sinto realizado como autor.
7 – Você lançou livros em parceria com outros autores, como foi essa experiência?
Extremamente estressante e prazerosa ao mesmo tempo. Lidar com outros autores é sempre uma briga de egos gigantescos, desgasta muito. Na Front onde tentávamos dar voz de igualdade a todo mundo, por exemplo, parecia reunião de condomínio umas horas, virava uma bagunça só. Com Pequenos Heróis já foi mais tranquilo, foi só eu e o Estevão Ribeiro coordenando uma equipe menor. Tudo fluiu mais calmamente.
8 – Você também desenvolve charges para a Internet, essa modalidade de arte é mais desafiante do que os quadrinhos?
Trabalho que não é desafiador não tem graça pra mim. Faço as charges e as HQs com a mesma devoção. Mas são propostas e públicos distintos.
9 – A série EntreQuadros terá continuação? Qual seus próximos projetos?
Acabei de lançar uma edição nova a EntreQuadros - Círculo Completo pela Balão Editorial. Essa é um livro mesmo, em vez de revista. Considero essa a minha primeira graphic novel. Tem 88 páginas, lombada quadrada, orelha e tudo mais. A história gira em torno de um personagem chamado Freuderico, um psicanalista inspirado em Freud. Ele está aprendendo a lidar com o fracasso de seu relacionamento de longa data com sua amada Martha. Seu novo interesse romântico, a Karina resolve bancar a analista dele por uma noite pra ele poder seguir em frente com a própria vida. A narrativa transcorre em diversos pontos da cidade de São Paulo. Pra quem conhece os lugares, a história ganha um sabor a mais. A receptividade dela tem me surpreendido, todo mundo vem me perguntar do mirante na Avenida Paulista que aparece logo no começo.
Agora eu estou trabalhando em uma nova graphic novel, em parceria com o escritor Nick Farewell. Este trabalho deve me tomar por volta de um ano de produção e ainda não posso soltar muitos detalhes. Depois disso, farei uma nova EntreQuadros e mais uma outra graphic novel com o Nick.
10 – Envie sua mensagem aos seus leitores.
Leiam mais quadrinhos e não deixem de conferir as edições da EntreQuadros e Pequenos Heróis. Também convido a todos para os lançamentos do álbum EntreQuadros – Círculo Completo .
Visite o site do autor:
Adquira o livro:
http://www.balaoeditorial.com.br/nossos-livros/quadrinhos/entrequadros.html
O novo volume da EntreQuadros, EntreQuadros – A Walk on the Wild Side, do quadrinhista Mário César foi lançado pela Balão Editorial (balaoeditorial.com.br), em parceria com o autor.
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